O que vai aprender
- O que é uma Obrigação do Tesouro e o que significam valor nominal, cupão e maturidade;
- A diferença entre OT-NR (em kwanzas) e OT-ME (em moeda estrangeira);
- O que é a yield — e porque o preço e a yield se movem em sentidos opostos;
- Como se compram OT: no mercado primário (leilões e emissões) e no secundário (BODIVA);
- O que é o risco de reinvestimento.
Um empréstimo ao Estado, com regras escritas
Uma Obrigação do Tesouro (OT) é um título de dívida pública: quem a compra está a emprestar dinheiro ao Estado angolano. Em troca, o Estado compromete-se a duas coisas — pagar juros ao longo do tempo e devolver o capital no final. Três termos descrevem esse compromisso:
- Valor nominal — o montante de referência do título, sobre o qual os juros são calculados e que o Estado devolve no vencimento;
- Cupão — a taxa de juro que o título paga sobre o valor nominal, com a periodicidade definida nas condições da emissão (em regra, semestral);
- Maturidade — a data em que o título vence e o valor nominal é reembolsado. Há OT de vários prazos, de curtos a longos.
No Guia 3 viu que as OT pertencem às classes de menor risco do mercado angolano: têm fluxos definidos à partida e o devedor é o Estado. Menor risco não significa, porém, risco nenhum — os preços variam antes do vencimento, como verá adiante.
OT-NR e OT-ME: kwanzas ou moeda estrangeira
O Tesouro angolano emite obrigações em duas grandes famílias:
- OT-NR (não reajustáveis) — denominadas em kwanzas , com cupão fixo definido na emissão. São a referência do mercado de dívida pública em moeda nacional: o investidor sabe, em kwanzas, exactamente quanto vai receber e quando, se mantiver o título até ao vencimento.
- OT-ME (moeda estrangeira) — denominadas em moeda estrangeira , tipicamente dólares norte-americanos: o valor nominal e os juros são calculados nessa moeda. Interessam sobretudo a quem quer que parte da carteira acompanhe a divisa. Os termos concretos de cada emissão — incluindo a moeda em que os pagamentos são efectuados — constam das respectivas condições de emissão, que deve sempre consultar.
A escolha entre as duas famílias não é uma questão de "melhor" ou "pior": é uma questão de moeda em que as suas responsabilidades e objectivos estão expressos — e do seu perfil de risco.
Yield: o preço e a taxa andam em sentidos opostos
O cupão é fixo, mas o preço a que uma OT se compra e vende antes do vencimento não é. E é aqui que entra o conceito mais importante deste guia: a yield — a taxa de rendimento anual que o título oferece _a quem o compra hoje, ao preço de hoje_, e o mantém até à maturidade.
Preço e yield movem-se em sentidos opostos. Se comprar um título abaixo do valor nominal, recebe os mesmos cupões e o mesmo reembolso tendo pago menos — a sua yield é superior ao cupão. Se pagar acima do nominal, acontece o inverso. Por isso, quando as taxas exigidas pelo mercado sobem, os preços dos títulos já emitidos descem; quando as taxas descem, os preços sobem.
Onde se compram: primário e secundário
Há dois caminhos para investir em OT, e ambos passam por um intermediário licenciado junto do qual tenha a sua conta custódia (Guia 6) — a conta onde os títulos ficam registados em seu nome.
- Mercado primário — o Tesouro emite títulos novos em leilões e emissões realizados regularmente. O investidor participa transmitindo a sua ordem através do intermediário, e o dinheiro aplicado vai directamente para o emitente — neste caso, o Estado.
- Mercado secundário — na BODIVA , os investidores compram e vendem entre si títulos já emitidos. É aqui que os preços — e portanto as yields — se formam dia a dia, e é o que lhe permite comprar uma OT a meio da vida do título ou vender antes da maturidade, ao preço que o mercado praticar nesse momento.
A diferença entre estes dois mercados é suficientemente importante para merecer um guia inteiro — é exactamente o tema do Guia 11 .
O risco de reinvestimento
Mesmo mantendo uma OT até à maturidade, há um risco menos evidente: o risco de reinvestimento . Os cupões que recebe ao longo da vida do título têm de ser aplicados às taxas que o mercado oferecer _nesse momento futuro_ — que ninguém conhece hoje. Se as taxas entretanto descerem, os cupões renderão menos do que o título original; o mesmo acontece ao capital reembolsado na maturidade, se quiser voltar a investi-lo. É uma das razões pelas quais as taxas observadas num período — como os 15% a 18% do primeiro semestre de 2026 — nunca devem ser projectadas para o futuro: descrevem o que o mercado praticou, não o que praticará. Os restantes riscos (mercado, crédito, liquidez) são tratados a fundo no Guia 18.
O vocabulário que vai levar deste guia
- Obrigação do Tesouro (OT) — título de dívida pública: um empréstimo ao Estado com juros e reembolso definidos.
- Valor nominal — o montante de referência do título, base do cálculo dos juros e do reembolso.
- Cupão — a taxa de juro periódica que o título paga sobre o valor nominal.
- Maturidade — a data de vencimento, em que o valor nominal é devolvido.
- Yield — a taxa de rendimento anual para quem compra o título ao preço actual; move-se em sentido oposto ao preço.
- Risco de reinvestimento — a incerteza sobre as taxas a que cupões e reembolsos poderão ser reaplicados no futuro.
Para investir em Obrigações do Tesouro — no primário ou na BODIVA — precisa de uma conta custódia. Na Standard Invest, a abertura é isenta de custos e faz-se online.
Abrir conta custódiaNota. Este guia tem carácter exclusivamente educativo e não constitui recomendação de investimento nem promessa de rendimento. Os valores e taxas citados descrevem o mercado em momentos concretos e variam ao longo do tempo. Investimentos em instrumentos financeiros envolvem riscos, incluindo a possível perda parcial ou total do capital. A Standard Invest — SDVM, S.A. é licenciada pela CMC e membro da BODIVA.
Próximo passo · Guia 10 de 26
OPV e OPS: como funcionam as ofertas públicas
O ciclo completo de uma oferta pública — do prospecto aprovado pela CMC à admissão na BODIVA — e a diferença entre vender títulos existentes e emitir títulos novos.


